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FAZENDO-SE DE POLICIAL

Antônio Orfeu Braúna

17/09/2007 (Jornal O TEMPO)

De algum tempo para cá, membros de algumas classes de servidores públicos, especificamente promotores de justiça e parlamentares, resolveram fazer de conta que são policiais. Sem nenhuma competência (no sentido mais amplo do termo) e com suas imunidades, o negócio é aparecer na mídia. O Ministério Público montou um arremedo de organização, fazendo até inquéritos policiais, que chegam a ser admitidos por alguns setores do Judiciário. Os parlamentares, estaduais e federais, sob o manto das CPIs e contando com as redes de televisão, fazem espetáculos de horas e dias a fio, que nunca dão em nada, quando os investigados são seus pares.


Não contemos o caso do mensalão porque, se alguma coisa está havendo, deve-se ao ministro Joaquim Barbosa, do STF. No último dia 13, na Assembléia Legislativa, houve uma reunião da Comissão de Segurança Pública. Eram convidados os delegados Luiz Carlos Chartoni e Wanderley Miranda, de Ponte Nova, mais a delegada Cristiane Reis, do gabinete do Chefe de Polícia Civil.


O assunto era o episódio dos presos que incendiaram a cadeia e mataram, queimados, 25 colegas de presídio. Não era uma CPI e as autoridades policiais ali foram como convidadas. De imediato, o deputado Sargento Rodrigues mandou isolar os dois delegados, sob a guarda dos seguranças da Casa e em regime de incomunicabilidade. Alertado pelo deputado Luiz Tadeu, mandou buscar os dois "convidados" de volta. Era o começo do show. O que deveria ser um encontro, talvez desnecessário, de esclarecimentos, virou um interrogatório de péssima qualidade e de mal disfarçada intimidação. O fecho de ouro coube ao deputado Durval Ângelo, que acabou mostrando sua machitude (sic) porque não gostou que o presidente da Associação dos Delegados (Adepolc-MG), Francisco Eustáquio Rabello, estivesse mineiramente assistindo ao triste espetáculo na companhia de outros policiais.


O interessante disso tudo é que Suas Excelências, como os promotores, são useiros e vezeiros em ataques aos policiais, que pintam em cores tenebrosas. Contudo, não conseguem esconder que o que mais querem é ser policial. Lógico que longe das agruras da profissão, incluídos os salários. Eles não têm esses problemas. Apenas copiam os erros de alguns. E nisso são caprichosos. Não sabem, nem suspeitam, do preparo e do tempo necessários para se fazer um bom policial. Nem do compromisso silencioso do servir, que envolve a própria vida, consumida ou perdida por tantos, todos os dias.